quinta-feira, 26 de abril de 2012

Mitos sobre o Luto

Nessas próximas semanas iremos discutir no nosso blog a respeito de concepções equivocadas que as pessoas podem ter a respeito do processo de luto.
           Essas concepções ao invés de ajudar a pessoa enlutada, dificultam a elaboração do luto e acabam causando prejuízos.

Para darmos início, escolhemos um dos maiores e mais frequentes mitos a respeito do luto:

“Não choro, nem converso sobre a perda na frente de meus familiares,
  pois quero poupá-los”             

Muitas famílias criam um pacto de silêncio a respeito da perda, com a intenção de causar menos dor ao outro. 


Será que agindo dessa forma estaremos contribuindo positivamente no luto das pessoas que convivemos?
Será que conseguimos poupar alguém de uma dor tão desorganizadora como essa?
Será que reprimir sentimentos e emoções ajudará no nosso processo de luto?

        
A resposta para todas essas questões é não!


As vezes chorar na frente do outro, demonstrar que esta sofrendo,  poderá aliviar essa outra pessoa, no sentido de que ela não está passando por isso sozinha. Outras pessoas estão sofrendo também. Saber disso tranqüiliza...

Não temos esse “poder” de poupar ninguém de um sentimento tão intenso e forte como a perda de alguém querido. Sabe-se que se expressarmos e conversarmos sobre o acontecido isso facilita no processo de elaboração do luto.

Falar do acontecido não é nada fácil e causa muito sofrimento para a pessoa. Mas as pessoas se esquecem que esse sofrimento já existe. Não é o falar que gera esse sofrimento. O falar é somente uma maneira de expressa-lo.
Esse sofrimento é fruto do rompimento de um vínculo com alguém de extrema importância e relevância.  Quando falamos, apenas estamos entrando em contato com esse sofrimento, estamos permitindo expressar e compartilhar essa dor.  

Chorar é uma maneira natural de aliviar a tensão interna e permite que seja comunicada a necessidade de ser confortado.

Pense nisso!



quinta-feira, 12 de abril de 2012

O Luto e o Chorar

Voce já se perguntou alguma vez por que choramos?



Choramos para expressar algum sentimento.

Quando recebemos a notícia que uma pessoa que amamos faleceu, sentimos o peito apertar... a voz embargar... vontade de chorar tamanha. Nesse caso, na maioria das vezes, o sentimento nomeado como tristeza quer ser expresso

Mas no luto é freqüente algumas pessoas reprimirem esse choro.
Algumas pessoas acreditam que precisam ser “fortes” e que chorar é sinônimo de fraqueza; Outras não querem demonstram seus sentimentos para outras pessoas com a intenção de poupá-las e não preocupá-las, ou não deixá-las tristes também...

 Também é possível que a pessoa que está preocupada com o enlutado tente, mesmo que de maneira sutil, por desejo de protegê-lo, evitar que ele chore e acabam por dizerem frases como: ´As lágrimas não o trarão de volta´ ou ´Ele não gostaria de vê-lo chorar´.  Na verdade, esse tipo de atitude mostra que essa pessoa sente-se impotente diante do sofrimento do enlutado, ou seja,  não sabe como lidar com isso!

Mas o que acontece quando reprimimos esse choro?

Quando esse sentimento quer ser expresso e nós não permitimos isso?


Sabe-se que o chorar funciona como uma descarga física e emocional. Dessa forma, quem reprime o choro pode apresentar com freqüência sérios problemas psicossomáticos, além de aumentar a suscetibilidade a distúrbios relacionados ao stress.

Como já dizia um filósofo romano: “As lágrimas aliviam a alma”



Pense nisso!

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Datas Comemorativas


Quando temos as pessoas que amamos ao nosso lado, a chegada de datas comemorativas é vista com alegria, entusiasmo e empolgação
Quando perdemos alguém querido, esses dias especiais, se pudéssemos, não fariam mais parte do calendário.
É difícil encontrar motivação para comemorar qualquer data!
As datas comemorativas despertam lembranças, saudades, tristezas...


Os sentimentos se intensificam porque a ausência de quem se ama fica evidenciada. 


Mas sobreviver a essas datas é possível!
É preciso reaprender a conviver com esses dias e vivenciá-los de um jeito diferente.
Algo que ajuda muito é o ritual, mas ele precisa fazer sentido para você! 

Portanto, ritualize, homenageie, faça alguma coisa, ainda que simples: vestir uma roupa especial; ir a um lugar que tenha significado para você; preparar uma comida especial; se você for religioso, pode fazer uma oraçãó; vá a igreja, se isso lhe fizer bem!
Só não se esqueça que o rito é SEU!
Tem que ser importante e fazer bem para você!

 






Buscar apoio entre parentes e amigos também é válido e importante!
Conversar, compartilhar suas emoções, sentimentos e pensamentos podem te ajudar nesses dias.


E você, como tem vivenciado as datas comemorativas? O que tem feito? Divida conosco, assim poderá contribuir e ajudar alguém que esta passando por esta situação.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Redes Sociais - seu papel na elaboração do luto

     Sabemos que hoje em dia é tamanho o número de pessoas que possuem um perfil virtual em alguma rede social disponível na internet.
     Mas e quando uma dessas pessoas falecem? O que fazer com este perfil?

     O que podemos observar nas redes sociais são que frequentemente os familiares excluem o perfil da pessoa falecida.
     Outros, permanecem com o perfil. Alguns até chegam a responder as mensagens que amigos e conhecidos enviam. 

     Mas, afinal, o que se deve fazer?


    
     Todo processo de luto é único! Partindo desse princípio, cada pessoa irá vivenciar e enfrentar o seu luto de acordo com os seus recursos. Para alguns o simples fato de manter o perfil de um parente, amigo, familiar pode ajudar em seu processo de elaboração do luto, já para outros, isso pode não ser benéfico.     
         
     O ato de manter um perfil na rede pode significar uma forma de manter viva a pessoa que faleceu, podendo ser uma forma de negação da morte. Isto pode ser um fator complicador no processo de elaboração do luto.
     Mas se por outro lado, a manutenção do perfil servir como uma forma de manter lembranças e homenagens. Esse ato poderá contribuir de uma forma positiva.  

      Por isso, deve-se sempre compreender o significado dessa experiência para cada pessoa.

    

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Recomeçar


 

Como a vida é delicada, frágil!... os segundos que se substituem não se repetem e o instante que vem pode transformar toda uma história em pedaços de lágrimas, onde o chão parece desaparecer sob os pés e o coração fica tão dolorido que parece que nunca vai encontrar remédio para curar-se.
Ninguém gosta de falar sobre perdas, alguns evitam até  pensar, mas todos temos que, um dia ou outro, enfrentar.
Quando pensamos na vida, não queremos pensar nas possibilidades das perdas, que nos fazem sofrer antecipada e inutilmente. Lidamos com a morte como se fosse o contrário da vida, como se fossem duas coisas distintas. Na verdade a morte faz parte da vida, mas é difícil aceitar isso!
Viver o luto é vivenciar a dor e a partida e aprender a continuar a viver. Talvez seja justamente isso o mais difícil: viver depois, reencontrar a alegria, o gosto, reaprender a olhar o belo e desejá-lo.
Algumas pessoas desenvolvem um sentimento de culpabilidade em aceitar novamente o presente da vida, o sorriso e o recomeçar. Elas sentem como se estivessem traindo quem se foi, porque devem continuar.
Ora, o amor não diminui ou não fica diferente porque aprendemos a viver sem os que se foram. O espaço conquistado no nosso coração pelos que nos amaram e os que amamos ficará definitivamente marcado. Porém, isso não pode e não deve impedir ninguém de viver.
É preciso aprender a viver com e apesar de. É preciso aprender a viver com a dor, com a falta, com a saudade e apesar do adeus. E é preciso se reconstruir!
Completar o luto é aceitar que a última página de uma história tenha sido definitivamente virada, que aquele livro se encerrou, mas que você poderá sempre que quiser ter contato com esse livro, onde nele estará registrada as suas lembranças, o que de mais rico ficou dessa relação. E que nada nem ninguém poderá tirar de você!

domingo, 6 de novembro de 2011

Dia de Finados – Passado, Presente e Futuro.


       Na quarta-feira, dia 02 de novembro, minha esposa e eu fomos ao cemitério. Nós e uma infinidade de outras pessoas, outras vidas, outras famílias. Por um momento me perguntei qual forte motivo faz com que pessoas saiam do conforto de suas casas para “visitar seus mortos”.
       Para quem acredita em alma não faria muito sentido, já que se supõe que ali a alma não esteja. Para quem não crê poder-se-ia dizer que faz menos sentido ainda, já que está tudo acabado.
       De qualquer das formas que se pense, quem se foi não está mais ali. Por outro lado, há nos cemitérios um registro material - restos mortais, lápides, placas – nos indicando perpetuamente (talvez por isso o nome perpétua?) que houve alguém entre nós, nesta vida tal qual a conhecemos.Alguém que amou, odiou, riu, chorou, entristeceu-se, foi feliz. Cumpriu sua jornada e partiu.
       Lembrar é uma forma de tornar vivos, ao menos dentro de nós, aqueles que se foram e que ainda amamos. Estar ali no campo santo no dia de finados talvez possa nos ajudar a acessar essa memória afetiva.
“Visitar” os nossos antepassados nos permite ajudar a compreender quem somos, por que somos e de onde viemos. Pode ainda lançar luz em nosso presente e valorizá-lo.
       Morar em um cemitério não é um privilégio só dos que estão ali. Um dia nossos restos mortais também farão parte daquele lugar.
       Relativizar as nossas ansiedades, medos e desejos diante da eternidade do tempo e do breve tempo de nossas vidas (ou, com as palavras ditas pelo meu patrão: não levar as coisas tão a sério a ponto de adoecer) é um grande aprendizado que podemos extrair olhando todas aquelas sepulturas.
       Compreender que a história da humanidade continuará após a nossa morte física nos proporciona um sentimento de humildade honesto e necessário para conduzir o nosso dia-a-dia. Essa percepção pode ainda nos dar o suave alento de que depois que nossa história nesse mundo termine, haverá outras pessoas vivendo suas vidas, seus amores, suas dores e alegrias e homenageando carinhosamente seus mortos.


Onassis Bruno
Função - Analista de Funeral e Membro da equipe do Instituto do Luto Bom Pastor


segunda-feira, 3 de outubro de 2011

"Moda para pessoas mortas"




Pia Interlandi, estilista australiana, cria roupas para serem usadas por defuntos no seu enterro.

A roupa dos mortos é diferente da dos vivos, porque não têm como fim oferecer calor, proteção e comodidade, diz Pia. O objetivo é enfeitar o corpo para o pós-vida.

 
Em seus desenhos estão intrincadas memórias da perda de parentes e de desconhecidos, assim como conhecimentos adquiridos através de experimentos científicos.
 
O trabalho incorpora ideias da morte, com seus rituais e transformações, e é resultado de uma profunda reflexão sobre a vida e nossa passagem por ela. "Minha roupa é para pessoas que estejam pensando no final da vida e naquilo que valorizam".
 
A estilista explica que para desenhar a sua roupa leva em conta não apenas os que morrem, mas também os que ficam vivos. "Eles (os vivos) necessitam sentir que a pessoa que morreu está protegida, que é amada, que está coberta, que não está nua", reflete.

"Em minha experiência com meu avô, foi reconfortante ver que ele já não sentia dor, que o que o mantinha vivo já não estava mais lá, e que tudo o que restava era a carapuça."
"Mas é preciso proteger essa carapuça, porque existe um vínculo sentimental com ela, com a sua aparência." Para Pia, "vestir um ser amado é um processo imensamente poderoso, e embora não seja para todos, recomendo às famílias que participem".


E você, o que acha disso? Já parou para pensar sobre o assunto?

terça-feira, 20 de setembro de 2011

11 de Setembro - Luto Mundial

Uma nação que ainda tenta compreender o significado do acontecimento, tenta dar sentido a ele!

Para homenagear as vítimas e também os heróis que arriscaram suas vidas, o diretor Spike Lee lançou esse videoclipe que contou com diversas crianças novaiorquinas que agradeceram os bombeiros através da música.

Compartilhando

Saudade (Pablo Neruda)


Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já…

Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida…

Saudade é sentir que existe o que não existe mais…

Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam…

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.

E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido!

Poema enviado por uma de nossas clientes do Instituto do Luto.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Música da semana: "Bye Bye - Mariah Carey"

     Escrita por Mariah Carey e co-produzida por Stargate, "Bye Bye" é uma música sobre a morte. Segundo a cantora essa música  é "para as pessoas que acabaram de perder alguém", disse ainda que fez essa canção em homenagem a todas as pessoas que passaram e marcaram sua vida , em especial para o seu falecido pai.

     Abaixo segue a tradução em português!


Adeus 
Essa é para as pessoas Que já perderam alguém
Seus melhores amigos, seus filhos
Seu homem ou sua mulher
Coloque suas mãos bem para cima
Nós nunca diremos adeus

Mães, pais, irmãs, irmãos
Amigos e primos
Essa é para o meu povo Que perdeu suas avós
Levante sua cabeça ao céu
Porque nunca diremos adeus

Enquanto criança, houve tempos em que
Não compreendia,
mas você me mantinha na linha
Eu não sabia o porquê
Você não aparecia às vezes
Aos domingos de manhã e eu sentia sua falta
Mas estou feliz que conversamos sobre isso
Todos aqueles problemas de gente grande
Que as separações trazem
Você nunca me deixou saber
Você nunca demonstrou
Porque você me amava
e obviamente
Há muito ainda o que dizer
Se você estivesse aqui comigo hoje
cara a cara

Eu nunca soube que podia ser tão doloroso
E a cada dia que a vida passa eu desejo
Poder falar com você por um tempo
Sinto saudades mas eu tento não chorar
Enquanto o tempo passa
E é verdade que você
Atingiu um lugar melhor
Mas eu ainda daria o mundo para ver seu rosto
E estar bem a seu lado
Mas é como se você tivesse ido cedo demais
E agora a coisa mais difícil de fazer
É dizer adeus

Você nunca teve a oportunidade de ver
O bem que eu fiz
E você nunca teve a chance
De me ver de novo em primeiro lugar
Eu queria que você estivesse aqui
Para celebrarmos juntos
Eu queria que pudéssemos
Passar os feriados juntos

Eu lembro de quando você costumava
Embalar-me para dormir
Com o ursinho de pelúcia que me deu
E que eu abraçava bem forte
Eu achava que você era tão forte
Que iria passar por qualquer adversidade
É tão difícil aceitar o fato de que
Você se foi para sempre

Eu nunca soube que podia doer tanto
E a cada dia que a vida passa eu desejo
Poder falar com você por um tempo
Sinto saudades mas eu tento não chorar
Enquanto o tempo passa
E é verdade que você
Atingiu um lugar melhor
Mas eu ainda daria o mundo para ver seu rosto
E estar bem a seu lado
Mas é como se você tivesse ido cedo demais
E agora a coisa mais difícil de fazer
É dizer adeus

Então essa é para o meu povo que já perdeu alguém
Levante suas mãos para o céu
Porque nunca diremos adeus!

E Você tem alguma música que goste muito e que te faça lembrar de alguém especial? Sim? Então nos escreva contando sobre isso: institutodoluto@grupobompastor.com.br
Estamos esperando o seu contato!

Bom final de semana e até semana que vem!