terça-feira, 14 de junho de 2011

Como as religiões encaram a morte



Folha de São Paulo, 2001.

CANDOMBLÉ
Significado: a vida continua por meio da força vital do indivíduo. A parte imperecível do corpo (ou "ori") não acaba, afirma o antropólogo Acácio Almeida Santos. E toda morte é fruto de uma intervenção.
Preparação: cultivando sempre sua força vital, pois as pessoas podem mudar seus destinos, apesar de existirem interferências na morte. Reencarnação: o "ori" volta para a mesma família, mas em outro corpo. Já os homens fortes, que têm filhos, maturidade, prestígio social e morte aceitável, tornam-se ancestrais.
Ritual: denominado "axexê", o rito funerário começa após o enterro e costuma durar vários dias. Na cerimônia, algumas pessoas que têm relação com o morto são chamadas para participar do ritual em que o espírito do corpo é encaminhado para outra terra. Nessa passagem, elementos simbólicos e materiais (objetos pessoais sacralizados) são quebrados e jogados em água corrente.
Luto: a morte é uma desordem que leva tempo para ser superada. Após alguns anos, aquela pessoa passa a interferir na energia vital do grupo ao qual pertencia.

CATOLICISMO
Significado: é vista como uma passagem, a porta de entrada para a ressurreição. "A religião enxerga apenas os vivos e os ressuscitados. Não existem mortos", diz o padre Paulo Crozera, coordenador da Pastoral Universitária da PUC-Campinas.
Preparação: ter em mente que a vida é um dom divino e deve ser vivida da melhor forma possível.
Reencarnação: todos serão ressuscitados porque Cristo é quem livra a pessoa do pecado, mas não existe a reencarnação. Corpo e alma são uma coisa só.
Ritual: vela-se o corpo e, além das orações populares que costumam ser feitas durante o velório católico, como o pai-nosso e a ave-maria, um padre ou ministro faz uma celebração para encomendar a vida da pessoa para as mãos de Deus. As velas, colocadas ao lado do caixão, simbolizam a luz de Cristo ressuscitado e a vida que vai se consumindo, mas que sempre brilha.
Luto: são feitas celebrações em memória do morto no sétimo dia, no primeiro mês e no primeiro ano. Acredita-se que esse processo precisa ser vivido para que se possa lidar da melhor forma com a morte.

ESPIRITISMO
Significado: a morte não existe porque acredita-se na eternidade do espírito. "O corpo é uma veste, e a reencarnação serve para o espírito evoluir", diz Ana Gaspar, que faz parte do Conselho Doutrinário do Centro Espírita Nosso Lar Casas André Luiz.
Preparação: aprende-se a agir após os estudos de livros de Allan Kardec, pai do espiritismo. Como acredita-se que o médium é intermediário entre os vivos e a alma dos mortos, isso significa que existe a possibilidade de comunicação com o espírito que já deixou aquele corpo.
Reencarnação: quando o corpo morre, o espírito se desliga e fica no mundo espiritual estudando e se preparando para uma nova reencarnação. As encarnações acontecem até o espírito atingir sua evolução.
Ritual: o corpo é velado e enterrado ou cremado. As preces ajudam o caminho para o mundo espiritual.
Luto: não existe porque não se acredita na morte.

ISLAMISMO
Significado: passagem desta vida para outra, eterna. "Quem fizer o bem será julgado por Deus e vai para o paraíso. Quem fizer o mal também será julgado e irá para o inferno", diz Abdul Nasser, secretário-geral da Liga Juventude Islâmica do Brasil.
Preparação: desde a infância é passada a noção de que tudo que começa tem um fim.
Reencarnação: não acredita. A alma teve tempo suficiente na terra para cumprir sua tarefa.
Ritual: o corpo é lavado pelos familiares -sempre do mesmo sexo- e enrolado em três panos brancos. Depois, é colocado em um caixão para que os parentes mais próximos se despeçam e levado à mesquita. A partir daí, apenas os homens participam.
Luto: dura três dias. Quando a mulher perde o marido, o tempo sobe para 130 dias, período em que ela não pode sair de casa, a não ser em emergências.

JUDAÍSMO
Significado: é o fim do corpo material. "A verdadeira pessoa, que é a alma, é eterna", diz o rabino Avraham Zajac.
Preparação: a criança aprende desde o início que a vida é feita de mudanças.
Reencarnação: existe outro mundo, para onde as almas vão, chamado de "olam habá" (mundo vindouro). No entanto a alma pode voltar para a terra num outro corpo para completar sua missão.
Ritual: o corpo é envolvido em panos brancos, e o caixão é fechado para que ninguém mais o toque. Familiares e amigos rezam salmos. Parentes próximos cortam tecido da roupa para mostrar o luto.
Luto: na primeira semana, os parentes se reúnem para rezar em casa. Apenas o espiritual conta, por isso os espelhos da casa, que refletem o corpo material, são cobertos. A pessoa é lembrada na data de morte por todos os anos seguintes.

PROTESTANTISMO
Significado: período de transição para outra vida, explica o pastor Fernando Marques, da Igreja Metodista Central de São Paulo. Preparação: ter fé na palavra de Deus, que julgará o destino da pessoa no céu ou no inferno, não a partir das ações dela, mas pela sua fé.
Reencarnação: não existe. Acredita-se em uma próxima vida em comunhão com Deus.
Ritual: velório e enterro são feitos em homenagem à família do morto.
Luto: não há regras.

ZEN-BUDISMO
Significado: o corpo se transforma em elementos básicos da natureza, mas a energia das ações e das palavras continuam repercutindo na terra por muito tempo, diz a monja Coen de Souza.
Preparação: meditação, que possibilita a compreensão de que tudo é transitório e interligado.
Reencarnação: renascimento é a palavra mais apropriada. Acredita-se que um ser mais "verdadeiro" (mais puro) vai retornar.
Ritual: flores, velas e incenso no velório. Os parentes usam roupas escuras, e são feitas preces.
Luto: preces ou transcrições de textos sagrados durante 49 dias a cada sete dias.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Morte x Sociedade

           Atualmente pode-se dizer que a maior dificuldade do homem pós-moderno é lidar com a morte.
Com o passar dos séculos, as atitudes frente a morte mudaram muito, mas por que?
Antigamente era mais fácil lidar com a morte?

Até o século XIX
As pessoas eram mais familiarizadas com a morte.
O tema morte servia de inspiração para os pintores da época.
Quando ocorria um falecimento, era a própria família que cuidava da preparação do corpo e do enterro. A perda era vivenciada por todos, inclusive crianças.

Século XX, até os dias de hoje
Hoje em dia morre-se nos hospitais, UTIS, não mais em casas, junto aos familiares.
As famílias não participam mais da preparação do corpo. Hoje deixam para profissionais especializados realizarem esse serviço.
O uso do crematório aumentou consideravelmente, com isso visitas aos cemitérios diminuíram proporcionalmente.

O contato com a morte é e sempre foi muito desgastante, porém as formas de enfrentamento da perda foram modificadas:
- Antigamente esse era um tema freqüente, discutido e vivenciado pela sociedade o que facilitava na compreensão, por isso aparentava ser mais fácil lidar com a morte.
- Hoje o sofrimento resultante de uma perda leva o indivíduo a querer distanciar-se dela. A sociedade atual pune o indivíduo que chora pela perda de um ente querido, não se fala sobre morte, é ainda considerada um tabu. Esse tema é evitado e ignorado, fazendo com que vejamos a morte como algo que acontece com os outros e não conosco. Para muitos a morte se tornou algo aversivo, que ninguém sabe lidar, devido ao pouco conhecimento e aproximação com o tema. Essa forma de enfrentamento, não permite que o indivíduo vivencie o processo do luto, o que acaba gerando danos para essas pessoas.
O ser humano moderno, fruto de nossa sociedade consumista, gasta todo seu tempo de vida procurando ter e gozar do que tem, chegando ao momento da morte totalmente despreparado.
Pensar na morte de maneira serena e calma não é uma questão de morbidez, masoquismo, ideação suicida, falta de vontade de viver, porque é bom deixar de existir ou algo assim. Na realidade, trata-se da conscientização de que ela vai acontecer de qualquer forma e com TODOS. É a adaptação para com algo que vai acontecer, queiramos ou não, uma hora ou outra.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Luto Antecipatório

“O Luto Antecipatório trata-se de uma fase onde se fica no fio da navalha, pois, por um lado, temos que nos preparar para a morte que se avizinha e, por outro, precisamos dedicar todo o nosso amor, atenção e carinho ao paciente em fase terminal”. (Fonseca 2004, p.97)



 Luto Antecipatório: é a vivência do luto ANTES da perda real, da morte propriamente dita.
     Esse tipo de luto ocorre, por exemplo, quando recebemos o diagnóstico de que alguém que amamos muito está com uma grave doença e que não tem chances de cura e sobrevivência. É muito difícil ver quem amamos se definhando com o tempo e ficando cada vez mais frágil por causa de uma enfermidade brutal.
     Essa situação pode causar uma desorganização e sofrimento tanto no indivíduo quanto em sua família além do grupo social que pertence.
    O Luto Antecipatório - É um fenômeno adaptativo, no sentido de que é possível, tanto o paciente quanto os familiares se prepararem cognitivamente, emocionalmente e espiritualmente para o acontecimento seguinte que é a morte.
     A maneira como cada indivíduo irá reagir frente a esse sofrimento é algo único. Não existe um roteiro a ser seguido que nos ensine a evitar essa dor. Porém algumas orientações podem contribuir para amenizar esse sofrimento que se aproxima:
- criar um espaço que possam conversar e expressar o que estão sentindo;
- falar sobre o sofrimento;
- falar sobre os medos;
- tomar decisões em conjunto;
- se despedir, dizer o que tem vontade para o paciente enquanto ainda é tempo;
- enfrentar essa situação de forma unida.
     Esses comportamentos ajudam na aceitação e adaptação a essa nova realidade. Facilitam a compreender que uma perda esta prestes a acontecer, ajudam a finalizar situações que ainda não foram resolvidas, promovem maior comunicação entre os indivíduos que estão envolvidos e acolhem as emoções e os sentimentos eminentes nesse período.
    Para quem ainda tiver dificuldades em expressar essa dor, esse sofrimento, o recomendável é procurar algum tipo de ajuda.
     O filme “Uma Prova de Amor”, do diretor Nick Cassavetes, fala justamente sobre este difícil momento de aceitação de que o fim está próximo.



     Esse filme foi lançado em 2009 e conta a história de uma família, cuja, a filha do meio foi diagnosticada com um tipo raro de leucemia.
     O filme mostra as lutas dessa família contra a doença e a forma como cada integrante desta história vivencia seu luto atencipatório.
     Vale a pena assistir!

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Entrevista:


Entrevista com Cissa Guimarães

A atriz relata como vem enfrentando e vivenciando o seu luto.
Enfatiza a importância da terapia do luto para lidar com a perda de seu filho.



domingo, 8 de maio de 2011

Dica de livros: Maio/2011


"Conversando sobre a Morte"
Da autoria de Carla Hisatugo , o livro é indicado para crianças que passaram por uma perda na família.

"Livro infantil para crianças com idade a partir de cinco anos pretende contar o que sentimos, pensamos, acreditamos e fazemos quando uma pessoa querida morre. Deste modo, explicita-se a vida real de maneira acessível à criança, propiciando que a mesma entenda melhor e reflita sobre seus sentimentos e percepções em relação à morte."

 

quinta-feira, 5 de maio de 2011

O Japão e a força para seguir em frente

 O Tsunami que atingiu o Japão em março desse ano nos mostra claramente que nenhum de nós está livre da possibilidade uma tragédia. De certo modo, os japoneses vivem uma espécie de luto coletivo.
A destruição repetida inúmeras vezes pelos meios de comunicação nos causando horror e espanto é o marco zero de onde partirão os japoneses para a reconstrução das províncias destruídas.
É claro. Sofrem por seus mortos, derramam suas lágrimas. Mas a vida, por mais difícil que seja, deve continuar.
 Os destroços serão retirados, as ruas serão limpas, as casas reconstruídas e depois de muito trabalho e do tempo fazer a sua parte, as coisas voltarão à uma certa normalidade. Ninguém da região atingida pelo tsunami será mais o mesmo. Provavelmente nem os lugares e os espaços terão a mesma configuração. Não se pode passar por algo tão avassalador sem nenhuma marca. Nem seríamos normais  se assim o fosse.
 O Japão já nos deu grandes lições ao sobreviver às bombas atômicas e se tornar uma nação pacífica. Temos tudo para acreditar que não será diferente desta vez.
Em nossas perdas individuais, em nossos tsunamis particulares, a coisa se dá de maneira similar. Ao perder um ente querido tudo se desorganiza ao nosso redor. De repente o mundo se torna um lugar inseguro. Nosso interior fica devastado como ficaram as províncias japonesas atingidas pelas águas.
Virão as lágrimas, as perguntas sem resposta, a dor pela ausência do ser amado. Inevitável.
 Mas com o passar dos dias, semanas e meses, nossa vida exterior e interior se reorganizará. Com uma força que não imaginávamos possuir e a vontade de superação, chegaremos a um novo tipo de equilíbrio. Sairemos mais fortes, talvez. “Ressuscitaremos” de nossas perdas e a vida seguirá com outras cores, outros significados.
 Alguns de nós terão mais dificuldades para atravessar esse período e precisarão da ajuda de familiares e profissionais para reencontrar o significado de suas existências. Mas isso é outro  assunto sério e delicado e guardaremos para uma próxima oportunidade.

Onassis Bruno

quinta-feira, 14 de abril de 2011

O que faz uma “Organização Social de Luto”?

Nós somos a Bom Pastor. Você poderá ter reparado que em alguns lugares aparecemos como Bom Pastor – Organização Social de Luto.
Pergunto-me se alguém já parou para pensar em quanta responsabilidade isso implica. Organizar a cerimônia de despedida do corpo de um ser humano que esteve entre nós, viveu, amou, foi feliz, sofreu e venceu a vida.
Preparar tudo para que os familiares possam chorar sua perda, estar ao lado do ser amado por mais algum tempo.
Na desordem e no desalento que são as primeiras horas do luto, devemos acolher a apontar o norte, orientar. E então, com a paciência do artesão, cuidar de todos os detalhes para que as famílias possam passar por um dos momentos de maior intensidade emocional de uma vida.
Encaramos o exercício desse ofício com a nobreza e a seriedade que ele merece. Afinal, essa é a nossa missão. É isso que uma empresa funerária ou uma organização social de luto fazem. Alguém já deve ter dito que o valor real das coisas que fazemos está no valor que a generosidade do nosso olhar atribui a elas.


Onassis Bruno

quinta-feira, 7 de abril de 2011


"Dona Cila - Maria Gadu"

A música Dona Cila, composta e interpretada por Maria Gadu, é um belo exemplo de como podemos lidar com nossas perdas. A letra, que  foi escrita em homenagem à sua falecida avó, é uma prova de que é possível extrair alguma beleza até dos acontecimentos mais difíceis.
No clipe oficial da música aparecem a avó e a Maria Gadu ainda menina. Em dois momentos a avó surge de maneira mágica no palco de um teatro e na passarela onde desfilam as escolas de samba. Sonhos que sua avó em vida não teria realizado.
A homenagem é ao mesmo tempo singela, refinada e principalmente emocionante.
É ainda um precioso indicativo de como podemos lidar com nossas perdas. Cada um em seu ofício, em seu mundo, da sua forma. A partir da dor, construir algo que possa iluminar as nossas vidas. Não há milagres, a caminhada não é fácil, mas há inúmeros exemplos que nos mostram que é possível.


Texto: Onassis Bruno (Atendente Grupo Bom Pastor)

terça-feira, 5 de abril de 2011

O Trem (Autor desconhecido)

    
      A vida não passa de uma viagem de trem, cheia de embarques e desembarques, alguns acidentes, surpresas agradáveis em alguns embarques e grandes tristezas em outros.

     Quando nascemos, entramos nesse trem e nos deparamos com algumas pessoas que, julgamos, estarão sempre nessa viagem conosco: nossos pais.

     Infelizmente, isso não é verdade: em alguma estação eles descerão e nos deixarão órfãos de seu carinho, amizade e companhia insubstituível....

     Mas isso não impede que, durante a viagem, pessoas interessantes e que virão a ser superespeciais para nós, embarquem. Chegam nossos irmãos, amigos e amores maravilhosos.

     Muitas pessoas tomam esse trem, apenas a passeio; outros encontrarão nessa viagem apenas tristezas; ainda outros circularão pelo trem, prontos a ajudar a quem precisa.

     Muitos descem e deixam saudades eternas, outros tantos passam por ele de uma foma que, quando desocupam seu assento, ninguëm sequer percebe.

     Curioso é constatar que alguns passageiros acomodam-se em vagões diferentes dos nossos; portanto, somos obrigados a fazer esse trajeto separados deles, o que não impede, é claro, que durante esse trajeto, atrevessemos, com grande dificuldade, nosso vagão e cheguemos até eles... só que, infelizmente, jamais poderemos sentar ao seu lado, pois já terá alguém ocupando aquele lugar.

     Não importa, é assim a viagem, cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperas, despedidas... porém JAMAIS retornos.

     Façamos essa viagem, então, da melhor maneira possível tentando nos relacionar bem com todos os passageiros, procurando, em cada um deles, o que tiverem de melhor, lembrando sempre que, em algum momento do trajeto, eles poderão fraquejar e, provavelmente, precisaremos entender isso, porque nós também fraquejaremos muitas vezes e, com certeza, haverá alguém que nos entenderá. 

     O grande mistério, afinal, é que jamais saberemos em qual parada desceremos, muito menos nossos companheiros, nem mesmo aquele que está sentado ao nosso lado. Eu fico pensando se, quando descer desse trem, sentirei saudades...

     Acredito que sim; me separar de alguns amigos que fiz nele será no mínimo dolorido; deixar meus filhos continuarem a viagem sozinhos com certeza será muito triste, mas me agarro na esperança de que, em algum momento, estarei na estação principal e terei a grande emoção de vê-los chegar com uma bagagem que não tinham quando embarcaram... e o que vai me deixar feliz será pensar que colaborei para que eles tenham crescido e a bagagem se tornado valiosa.

     Amigos, façamos com que a nossa estada nesse trem, seja tranquila, que tenha valido a pena e que, quando chegar a hora de desembarcarmos, o nosso lugar vazio traga saudades e boas recordações para aqueles que prosseguirem a viagem! 

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Pessoa Enlutada: Como consolar? Agir? O que posso fazer?

Há acontecimentos na vida que de tão dolorosos nos deixam sem palavras para justificá-los.

Como consolar alguém que se depara com a morte de um ente querido?

 Evitar lugares comuns como a horrível expressão “bola pra frente” e querer dizer qual é o momento em que o outro deve deixar de chorar por sua perda é questão de bom senso.

Cada qual sabe de si.

Não há instrumentos que possam medir o quão grande é o sofrimento alheio. Muito menos podemos nos autorizar a dizer que sentimos muito por perdas alheias sem que isso soe pouco verdadeiro.

Não há nada de novo em dizer que às vezes o silêncio respeitoso é melhor do que mil palavras ditas ao vento.

Qualquer gesto de ajuda a uma pessoa que perdeu um familiar recentemente pode consolar de maneira mais efetiva do que tentativas vãs de tentar explicar e dar motivos para o maior dos mistérios com o qual todos nós vamos nos confrontar um dia.

Uma sopa para a mãe enfraquecida pelo sofrimento. Uma tarefa doméstica que ajude a tornar mais arejado um ambiente de tanta densidade emocional. Simplesmente a nossa presença mostrando que a vida continua e que estamos ali para ajudar no que for preciso ou entender o momento em que a pessoa enlutada precisa estar só com seus sentimentos são gestos e atitudes que podem fazer alguma diferença.

Texto escrito por Onassis Bruno (Atendente Funerário - Bom Pastor)