sexta-feira, 1 de abril de 2011

Pessoa Enlutada: Como consolar? Agir? O que posso fazer?

Há acontecimentos na vida que de tão dolorosos nos deixam sem palavras para justificá-los.

Como consolar alguém que se depara com a morte de um ente querido?

 Evitar lugares comuns como a horrível expressão “bola pra frente” e querer dizer qual é o momento em que o outro deve deixar de chorar por sua perda é questão de bom senso.

Cada qual sabe de si.

Não há instrumentos que possam medir o quão grande é o sofrimento alheio. Muito menos podemos nos autorizar a dizer que sentimos muito por perdas alheias sem que isso soe pouco verdadeiro.

Não há nada de novo em dizer que às vezes o silêncio respeitoso é melhor do que mil palavras ditas ao vento.

Qualquer gesto de ajuda a uma pessoa que perdeu um familiar recentemente pode consolar de maneira mais efetiva do que tentativas vãs de tentar explicar e dar motivos para o maior dos mistérios com o qual todos nós vamos nos confrontar um dia.

Uma sopa para a mãe enfraquecida pelo sofrimento. Uma tarefa doméstica que ajude a tornar mais arejado um ambiente de tanta densidade emocional. Simplesmente a nossa presença mostrando que a vida continua e que estamos ali para ajudar no que for preciso ou entender o momento em que a pessoa enlutada precisa estar só com seus sentimentos são gestos e atitudes que podem fazer alguma diferença.

Texto escrito por Onassis Bruno (Atendente Funerário - Bom Pastor)

terça-feira, 29 de março de 2011

Texto para Reflexão

Texto para refletirmos sobre nossa postura diante de uma pessoa enlutada.
Como agir? O que dizer?

Nossa sociedade tem dificuldade em lidar com o silêncio. Quer sempre saber, questionar como aconteceu.

O Enlutado quer estar com... quer ser amparado, quer companhia... porém sem questionamentos!
Pense nisso... e boa reflexão!


 A Morte e o Silêncio - Rubens Alves

Nos breves intervalos em que a chuva parava de cair e os raios de sol se infiltravam pelas nuvens, o arco-íris aparecia fazendo os homens se lembrar da promessa que Deus fizera depois do dilúvio: ele nunca mais permitiria que as águas destruíssem a vida. Mas parece que ele se esquecera. A chuva caia sem parar alagando campos, inundando cidades, derrubando casas, matando gente e bichos.
Ele era um menino de 14 anos, feliz, que gostava de viver. Filho único, morava em Floripa. Como todos os meninos e meninas, ele deveria ir à escola naquele dia, porque a chuvao estavao forte assim. E andar na chuva é uma arte quealegria às criaas.

Chegou a hora do recreio, tempo livre para brincar. A chuva voltou a cair mais forte, com raios e troes. Havia um lugar abrigado da chuva, uma marquise, construída fazia três semanas. Era uma cobertura de cimento, planejada por engenheiros que sabiam o que estavam fazendo. Sólida. Ele se abrigou sob a marquise para ver a chuva. Mas a marquise, ignorando ferro e cimento, caiu sobre ele, esmagando-o. Agora, no seu lugar, resta uma dor que nenhuma palavra pode conter.

A morte faz calar as palavras. São inúteis. Servem para nada. Somente os tolos tentam consolar. Eles não sabem que as palavras de consolo, brotadas das mais puras intenções, são ofensas à dor da pessoa golpeada pela morte. Porque elas, as palavras de consolo, são ditas no pressuposto de que elas têm poder para diminuir o vazio que a morte deixou. Como se a pessoa que a morte levou não fosseo importante assim e algumas palavras pudessem diminuir a dor que sua morte deixou.

Mas não há palavra ou poema que possa com as únicas palavras que a morte deixa escritas: "Nunca mais". Nada existe de mais definitivo e mais doloroso que esse "nunca mais..."

Bem fizeram os amigos de Jó que o visitaram com o intuito de consolá-lo na sua desgraça. O texto bíblico descreve o que aconteceu:
"Quando eles, de longe, o viram, eles não o reconheceram; e eles levantaram suas vozes e choraram. E eles se assentaram com ele no chão durante sete dias e sete noites, e nenhum deles lhe disse uma palavra sequer, porque eles viram que o seu sofrimento era muito grande" (Job 2.13 ).

Todos os amigos querem diminuir o sofrimento dae. Cercam-na com palavras que, pensam eles, trao algum consolo. Mas que palavra ou poema poderá substituir o seu filho? E a chamam ao telefone para dizer-lhe suas palavras doces e cheias das intenções mais puras. Mas a pureza das intenções não garante a sua sabedoria. E aí, à dor da morte do filho, acrescenta-se uma a outra dor: ae é obrigada a ouvir os consoladores delicada e pacientemente, com sorrisos de agradecimento... Mas são tantos os consoladores e eles cansam tanto...

Gestos de consolo, lembro-me de um que me comoveu. Eu vivia em Nova York com a minha família. Aí o pai da minha esposa foi morto num acidente, no Brasil. Ao abrir a porta do apartamento, no chão estava um buquê de flores. Aquele que o trouxera se retirara em silêncio. Não tocara a campainha. Mas deixara um bilhete onde estava escrito: "Não quis perturbar a sua dor...


segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

AS LEMBRANÇAS ...

"Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior torrmento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar”



A dor e o sofrimento pela morte de alguém que nos é caro é o preço que pagamos por amar. Sofremos, choramos, porque nosso coração tornou-se vazio.

Saudade é, não só uma palavra, mas um dos sentimentos mais poderosos, e que mais toca a alma. Maior quando alguém se vai para sempre.

Mas este ir para sempre não significa esquecimento, mas sim o início de lembranças. Dos tempos vividos, das alegrias, dores, amores, ressentimentos e tudo o mais que possa ter feito parte da convivência, afinal, somos humanos, cheios de acertos e erros.

Lembrar é resgatar no tempo o que não tem volta. É descobrir nos sentimentos a presença de alguém. É a tentativa de ocupar o vazio deixado no coração.

Isso pode ser feito através de uma música, uma missa, uma visita ao cemitério, uma oração, um olhar para o infinito, de uma lágrima que cai, um sonho ou simplesmente por um sorriso.

Lembrar não é reconhecer que não temos mais alguém, mas, sobretudo, saber que o temos para sempre no pensamento, no coração e na alma.

Lembre-se sempre de alguém querido. Sorria, chore se preciso. Não há uma forma específica de lembrar; basta apenas que olhe para o seu coração e o sentimento brotará.

Lembrar é só outra forma de amar.


Por João Batista Alves de Oliveira – Médico. Mestre em Gerontologia pela PUC-SP

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

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Reflexão - O Rabino e os Filhos

Segue abaixo um conto que tem relação com o tema que esta sendo trabalhado esta semana no nosso blog - Pais Enlutados.

O Rabino e os Filhos

Narra antiga lenda que um rabino, religioso dedicado, vivia muito feliz com sua família: uma esposa admirável e dois filhos queridos.
Certa vez empreendeu longa viagem, ausentando-se do lar por vários dias. No período, um grave acidente provocou a morte dos dois filhos amados.
A mãe sentiu o coração dilacerado de dor. No entanto, por ser uma mulher forte, sustentada pela fé pela confiança em Deus, suportou o choque com bravura. Mas, uma preocupação lhe vinha à mente: como dar ao esposo a triste notícia? Sabendo-o portador de insuficiência cardíaca, temia que não suportasse tamanha comoção. Lembrou-se de fazer uma prece, rogando a Deus auxílio para resolver a difícil questão.
Alguns dias depois, num final de tarde, o rabino retornou ao lar. Abraçou longamente a esposa e perguntou pelos filhos. Ela pediu para que não se preocupasse. Que tomasse o seu banho, e logo depois ela lhe falaria dos moços.
Alguns minutos depois, estavam ambos sentados à mesa. Ela lhe perguntou sobre a viagem, e logo ele perguntou novamente pelos filhos. A esposa, numa atitude um tanto embaraçada, respondeu ao marido:
 - Deixe os filhos. Primeiro quero que você me ajude a resolver um problema que considero grave.
O marido, já um pouco preocupado, perguntou:
 - O que aconteceu ? Notei você abatida! Fale!  Resolveremos juntos, com a ajuda de Deus.
 - Enquanto você este ausente, um amigo nosso visitou-me e deixou duas jóias de valor incalculável, para que as guardasse. São jóias muito preciosas! Jamais vi algo tão belo! O problema é esse...Ele vem buscá-las e eu não estou disposta a devolvê-las, pois me afeiçoei a elas. O que você me diz?
 - Ora, mulher! Não estou entendendo o seu comportamento ! Você nunca cultivou vaidades! Por que isso agora?
 - É que nunca havia visto jóias assim ! São maravilhosas!
 - Podem até ser, mas não lhe pertencem! Terá que devolvê-las.
 - Mas eu não consigo aceitar a idéia de perdê-las!
E o rabino respondeu com firmeza:
 - Ninguém perde o que não possui. Retê-las equivaleria a roubo! Vamos devolvê-las, eu a ajudarei. Faremos isso juntos, hoje mesmo.
 - Pois bem, meu querido, seja feita a sua vontade. O tesouro será devolvido. Na verdade isso já foi feito. As jóias preciosas eram nossos filhos. Deus os confiou à nossa guarda, e durante a sua viagem Ele veio buscá-los. Eles se foram...
O rabino compreendeu a mensagem Abraçou a esposa, e juntos derramaram muitas lágrimas.
 
 
 
Nossos filhos, antes de serem "nossos", são filhos de Deus. Ele os ama e os confia aos nossos cuidados durante um certo tempo, que varia de acordo com os seus planos. O fato de os gerarmos para a vida não nos dá o direito de pais, mas apenas de genitores. Portanto, vamos curtir com eles pelo tempo que Deus confiá-los a nós.


terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Pais Enlutados

"A vida não é mais a mesma, ela recomeçou sem aquela pessoa e com uma história interrompida.
Nada é como era antes. A Família se modificou."


Essa é a realidade que machuca. É essa realidade que se instala na casa e na vida de quem perdeu alguém querido...

Erroneamente pensamos e desejamos que a morte siga uma sequência cronológica: primeiro os pais morrem, depois os filhos. E quando essa sequência é alterada os pais sofrem muito, pois acabam perdendo também sua perspectiva de futuro.
Quando um filho morre, leva consigo sonhos e projetos dos pais, o que intensifica a dor da perda.
 A morte é vivenciada como “perda de um pedaço” de si. Quando a vida de um filho é interrompida, os pais são violentamente atingidos.

Diante da perda de um filho cada pessoa reage de uma determinada maneira. Essas reações dependem de fatores como: a relação entre pais e filho (como era esse vincúlo? Esse relacionamento era saudável? Conflituoso? A idade do filho também influencia (em cada etapa da vida existem fatores que dificultam a elaboração da perda)/ as circunstâncias da perda é outro fator determinante (causa da morte, como foi, o que aconteceu). 

Com a perda de um filho o casamento também pode sofrer consequências negativas,
É frequente verificar-se, após à morte de um filho, uma quebra de comunicação entre os pais. Já que a tendência é evitar o sofrimento do parceiro, o que não deve ser feito. Um deles, em vez de conseguir escutar o outro, exige que este reprima os seus sentimentos. O outro, por sua vez, não se sentindo compreendido naquilo que está sentindo, tem tendência a deixar de comunicar. 

Nesse momento é importante e necessário o acolhimento e a força que um irá transmitir ao ao outro. Escutar, amparar, ser empatico com o companheiro é primordial.
Os pais têm que perceber que são pessoas únicas e que vão viver o luto de forma diferente. É preciso muita compreensão e tolerância para deixar que cada um faça o seu luto à sua maneira, sem se sentir ameaçado.

Com relação aos filhos que ficaram, os pais devem ficar atentos aos seus comportamentos, pois podem sentir medo de investir afetivamente nestes, com o receio de sofrer novamente. Ou, passam a superproteger o filho com medo de perde-lo também.
  
É importante que os pais possam conversar, dividir com alguém os sentimentos que podem surgir, como a raiva, tristeza, o desânimo, a saudade. É importante também que se permitam vivenciar todos esses sentimentos e saibam que o processo de luto leva algum tempo para ser elaborado. É muito difícil conviver com isso sozinhos, a companhia de pessoas próximas efetivamente é muito importante, para a superação.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011